sábado, 20 de outubro de 2012

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sábado, 20 de outubro de 2012
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Tinha passado a noite anterior com um aperto no peito,uma dor, um nó, um engodo, um... não sei o quê me afetava, me doía, corroía. Estava com os cabelos soltos e ao virar a cabeça para encontrar uma maneira menos desconfortável pra dormir, como se, em câmera lenta estivesse, vi os fios negros dos meus cabelos escorrerem pelo rosto, fio a fio, e meus dedos, tenta
do tirá-los dos olhos que, apesar de estar tudo escuro, incomodavam a visão. Visão, pra que serve quando tudo está escuro, sem luz, sem cor(...) apenas uma sensação, uma sensação de que tudo pode ser, se formar, se transformar no breu da noite. Mas essa noite...só manchas, um cinza, uma neblina pintava o quarto, escorria como chuva de chumbo pelas paredes, um gosto amargo de fel do existir, do ser, do viver(?) Tinha passado a noite com essa angustia, com essa ânsia, com esse vômito prestes a jorrar no que se diz livre, minh'alma seria a primeira, pobre, pensa ser livre...de quem(?) de onde(?) alma desgraçada ( pensava aos murmúrios da madrugada, a quem antes eu chamava de doce) sinto o peso das correntes, do tilintar do aço rasgando chão...e quem me segura(?) quem me arrasta pra essa insustentável sensação de ser(?) eu (?) que fardo(!) e eu ainda tentando tirar os fios de cabelos do rosto, pra ver se enxergaria melhor na escuridão que preenchia aquele quarto, que não era meu, pra ver se sentia me melhor naquela cidade que, não era minha, pra ver se amaria, aquele amor, que nunca foi meu. A náusea ainda insistia, por ser, por existir, por estar...Não há nada glorioso em ser um escritor, tão pouco um bêbedo. Escrevemos pela incompetência humana de ser, desejando apenas que, num ato egoísta, deixar um rastro, pintado e assinado que passamos por aqui. E, esse ódio de ser, corroía, corrompia, o que sempre julguei correto, o olhar. Quanta covardia, não sabia mais olhar, uma cegueira branca talvez(?) Há tanto pra ver, tanto pra ler, tanto pra amar, que acabamos ficando cegos, fartos de tanto o que se olhar.E...pensando nessa questão do ver, lembrei de uma passagem de um texto, não recordo agora do autor, pois estou mais preocupada em enxergar nesse escuro e registrar as experiências da madrugada anterior,que escrito, estava mais ou menos assim " um garotinho nunca tinha visto o mar, então o pai o levou um dia e ao pisar os pés na areia, o garotinho logo correu na frente e se pôs na beira do mar, abismado com a imensidão do mar, gritou:_Pai! Vem me ajudar a ver!" Creio que precisamos de alguém ou algo pra nos ajudar a ver, afinal, o mundo é grande mas, beleza mais bela, é aquela que vem devagar, dia a dia. São essas belezas e dessas belezas que vem algum sentido, um sentido não sei do quê(?) Talvez do viver(?) de ser (?) de existir (?) Só sei que ao recostar minha cabeça confortavelmente no travesseiro e ao tirar os cabelos do meu rosto, enxerguei a criatura que naquele momento fez sentido a minha náusea do existir e persistir nessa busca do ser: o meu (...) a minha menina dos olhos...