sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Amanhã vou invadir sua casa.
No frio do inverno, sua piscina estará congelando e as folhas ainda do outono estarão boiando nela.
Vou correr ao redor do lago gelado e cantar canções indígenas, vou fazer da sua piscina um caldeirão mágico e fazê-la ferver, borbulhar, até as folhas dançarem ao ritmo de minhas músicas.
E nem adianta tentar me tirar de lá, pois ninguém me verá, ninguém poderá me ver, por que estei invisível ao olho.
Mas te digo com que roupa vou dançar, vou fazer rodopios com aquele sapato sujo que uso pra pintar paredes e aquela camisa barata cheia de furos que eu fiz, sabe, aquela que você odeia.
Estarei lá, dançando e cantando para as folhas de outono e você não vai me ver por que quando chegar eu já terei partido, pra outra casa, pra outras folhas, pra outra piscina congelada.
vou rir de você.
Sou o mostro que vive entre o concreto das paredes.
Eu vago nas noites frias dos dias sextos e vejo oque você faz quando tranca a porta.
Meus olhos são negros e meus cabelos longos não atrapalham a visão.
Passeio de parede em parede, deslisando o pé de casa em casa, caminhando, atravessando concretos até chegar em sua casa, em seu quarto, tão escuro...mas vejo, por que choras?
Eu sou o monstro que vive entre o concreto das paredes.
E vejo quando você chora todo dia antes de dormir, não sei por que choras.
E saio, e vago, e escorrego.
Continuo vagando entre paredes de casas, prédios, beirando calçadas. Procurando algum motivo, alguma razão pra continuar.
Sinto vontade de voltar todos os dias e ver suas lágrimas, eu queria bebê-las. Talvez sejam suas lágrimas que me faça querer ficar, talvez.

Tão Fácil

Nenhuma verdade pra amanhã, e então?
Nennhuma novidade pra hoje, e então?
Vamos dormir e sentir o gosto da verdade, e então?
Não acordar.
Só sonhar.
Sonhar.
Nos sonhos não há lágrimas e a escuridão é saborosa.
Deixe a luz apagada.
E então?
Sonhar acordada.

Som cru

É como se o vinil fosse meu peito e a agulha estivesse rasgando-o de uma ponta a outra, saindo faíscas com os riffs da guitarra.
É como se já tivesse sentido, vivido essa sensação.
Precisei escrever pra ser visto, pra ser dito.
A vontade de gritar é grande. Eu sinto de novo! Eu vivo!
Seni a existência pulsante no peito, aquele sentimento fugaz qu só deixa lembrança, só deixa saudade.
É isso!
É som!
E que som!
Deixa o baterista soltar sua baquetas.
Deixem entrar em transe o coro humano.
Hoje é 1972, o ar ainda está respirável e a música também.
Soltem o som, deixem no ar.
O tempo não sufoca o ar.
Som no ar é pra sempre.