quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Um jogo
Uma aposta
Uma caçapa
Primeiro abraço
Segundo
Terceiro
Abraço no quarto
Estouro
Lança
Flecha
Chave
Cadeado
Livre
Correu
Ventou
Tempo
Passou
Esperou
Doeu
Passou
A luz
A sombra
Há luz.

Depois das palavas que escorreram em cascata, ela foi escrever sobre o amor.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Suplício


Nas minhas últimas orações, suplicava, pra quem quer que estivesse ouvindo, o pior era quando, de fato havia alguém do lado, enfim, sentir. Sentir, isso mesmo. Sentir qualquer coisa que fosse, alegria, tristeza, decepção, euforia, ódio (...) Anos atrás tinha buscado equilibrar meus sentimentos, e acabei acostumando me sentir "normal" Adj. Que é como os outros; Regular, habitual. _ Oi, tudo bem? _ Tudo normal! Foi minha resposta durante alguns anos.
Pois bem, eis me aqui pagando a promessa.
Tentamos nos proteger geralmente do sofrimento, e isso acabou me levando a uma redoma que, nem eu sofria, nem eu era feliz, nem triste, nem nada...eu não conseguia ser nada...vazio...nem sorria, nem chorava. Mas estava confortável, sim, eu estava.
Mas o conforto foi se tornando pesado, e as coisas foram se tornando  sem sentido ( olha aí...sem sentido, sem sentir) Comecei a achar que queria de volta a sensibilidade, o sentir, sentido ou sem sentido, eu queria, eu queria!
Músicas, teatro, cinema, tatuagens, pessoas.
Pessoas. Terreno perigoso. Primeiro fiz pessoas sentirem, ainda tinha esse poder de fazê las sentir algo, mas eu queria também!
Faça me sentir algo! Nem que seja dor!!! Faça me apaixonar! Me abandone!!! Faça me sofrer! Por favor!!! Coisas vãs...
Sei que não era hora pra voltar.
Agora sei.
Creio que a redenção está acontecendo, agora, neste exato momento.
Hoje eu senti...

_ Ei, acho que está chovendo, vem sentir o cheiro da chuva.

O cheiro, e as gotas no braço, foram as primeiras coisas que senti. Depois um frio, depois um abraço. Eu sentia calor.

Sabe quando você deixa algo guardado e depois sacode? Senti a poeira levantar dentro de mim.
Agora, não tenho mais medo de sentir dor, estar feliz. Entendi que faz parte, e concluo aqui minha confissão sem querer fazer jogos com palavras: sinta a sensação de ser.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Adaptação



_Às vezes penso em quando estávamos juntos, quando você se sentia tão feliz que dizia que podia morrer que você era a pessoa certa pra mim.Mas, às vezes me sentia tão  sozinho mesmo em companhia.O amor devia ser assim. Uma dor de que eu ainda me lembro.Acho que tinha me viciado nesse tipo de tristeza. Então, quando percebemos que não fazíamos mais sentido, você disse que ainda seriamos amigos. 
Admito que fiquei feliz.

E agora você sumiu da minha vida! Não precisava fingir que nada tivesse acontecido, que não fomos nada. Eu não preciso mais do seu amor, mas você me trata como um estranho. 
Você não precisava ser tão baixa!Pedir pros seus amigos recolherem os discos e até mudou o número!
Embora, eu ache que não precise disso, agora somos dois desconhecidos.

_Às vezes penso quando você me esquecia, me deixava como se não tivesse ninguém em casa e ainda me fazia acreditar que era sempre algo que eu tinha feito! Decidi que não queria ficar assim, tentando entender cada palavra que você não fala. Estava ficando doente. E você, deixando pra lá. Estava cansada de te levar nos ombros. Agora deixei pra lá. E hoje sou só alguém que você conheceu.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Um tormento. Um verme alojado no meu coração me corrói, inquieta, me transtorna.
É uma vontade de gritar, explodir, rasgar, rasgar. E hoje, tive sonhos tranquilos. Talvez um equilíbrio para esses dias de longos pensares. Pensar. Começar a pensar é começar a ser atormentado.
Peço um café, acendo meu cigarro e numa sequencia de gestos mecânicos por um momento, esqueço: um gole de café, xícara na mesa, tilintar da louça no mármore, o acerto da alça da xícara para o próximo gole, o cigarro, o suspiro, a boca, a fumaça, o vento, o açúcar na mesa,o olhar para o nada, pessoas conversando sobre nada, a xícara, o tilintar, o acerto, o cigarro, o suspiro, aboca, a fumaça, o vento,o olhar, pessoas e o nada.
Olho para um homem que está sentado em uma mesa à minha frente, sozinho, lendo um livro. Imaginei o conteúdo do livro, o que me tomou alguns minutos, será filosofia, história, anatomia? Ou está só fingindo que lê e assim como eu está divagando nos próprios pensamentos, abstraído do barulho das pessoas, gralhas falantes e sorrindo. Não dá pra entender nada, só barulho. Pedi outro café, decidi não acender outro cigarro e voltei a pensar, a pesar. Transtorno, tormenta, inquietude: um verme se alojou no meu coração.
A luz  me cega.
Não queria escrever, queria gritar.
A LUZ ME CEGA!

Das almas salvas não quero mais um copo d'água. No caminho reto dos cegos, não quero placas, direção, afago, carinho, o caralho. Vendi minha'lma ao vento, sem tento e alento, caminho pelos caminhos tortos. E contra tua mão, volto, vou, faço e me desfaço. não digo que cansei pois, ainda nem comecei fazer da metade da passagem dessa vida, um cena torpa, pra deixar essa platéia ensossa, chocada.Escandalizada.
E as lembranças da morte me embriagavam....

Um cinema, algumas aspirinas, outros urubus e, talvez cigarros... esqueci das minhas cervejas homenagens a Bukowiski, camarada que odiei há alguns anos atrás e agora tem me inspirado nas esbórnias mais "socabacenses" que ultimamente tenho vivido. É por conta do desejo de não ser quando você não está aqui. E não vai estar, pois já esteve...e hoje, não mais, não é mais...Lembro nitidamente quando não o quis ... não mais o desejei...e agora, que já és morto...não sei mais se o que quis...era o quê realmente queria... o sono quase eterno me chama...

sábado, 20 de outubro de 2012

(...)

sábado, 20 de outubro de 2012
(...)
Tinha passado a noite anterior com um aperto no peito,uma dor, um nó, um engodo, um... não sei o quê me afetava, me doía, corroía. Estava com os cabelos soltos e ao virar a cabeça para encontrar uma maneira menos desconfortável pra dormir, como se, em câmera lenta estivesse, vi os fios negros dos meus cabelos escorrerem pelo rosto, fio a fio, e meus dedos, tenta
do tirá-los dos olhos que, apesar de estar tudo escuro, incomodavam a visão. Visão, pra que serve quando tudo está escuro, sem luz, sem cor(...) apenas uma sensação, uma sensação de que tudo pode ser, se formar, se transformar no breu da noite. Mas essa noite...só manchas, um cinza, uma neblina pintava o quarto, escorria como chuva de chumbo pelas paredes, um gosto amargo de fel do existir, do ser, do viver(?) Tinha passado a noite com essa angustia, com essa ânsia, com esse vômito prestes a jorrar no que se diz livre, minh'alma seria a primeira, pobre, pensa ser livre...de quem(?) de onde(?) alma desgraçada ( pensava aos murmúrios da madrugada, a quem antes eu chamava de doce) sinto o peso das correntes, do tilintar do aço rasgando chão...e quem me segura(?) quem me arrasta pra essa insustentável sensação de ser(?) eu (?) que fardo(!) e eu ainda tentando tirar os fios de cabelos do rosto, pra ver se enxergaria melhor na escuridão que preenchia aquele quarto, que não era meu, pra ver se sentia me melhor naquela cidade que, não era minha, pra ver se amaria, aquele amor, que nunca foi meu. A náusea ainda insistia, por ser, por existir, por estar...Não há nada glorioso em ser um escritor, tão pouco um bêbedo. Escrevemos pela incompetência humana de ser, desejando apenas que, num ato egoísta, deixar um rastro, pintado e assinado que passamos por aqui. E, esse ódio de ser, corroía, corrompia, o que sempre julguei correto, o olhar. Quanta covardia, não sabia mais olhar, uma cegueira branca talvez(?) Há tanto pra ver, tanto pra ler, tanto pra amar, que acabamos ficando cegos, fartos de tanto o que se olhar.E...pensando nessa questão do ver, lembrei de uma passagem de um texto, não recordo agora do autor, pois estou mais preocupada em enxergar nesse escuro e registrar as experiências da madrugada anterior,que escrito, estava mais ou menos assim " um garotinho nunca tinha visto o mar, então o pai o levou um dia e ao pisar os pés na areia, o garotinho logo correu na frente e se pôs na beira do mar, abismado com a imensidão do mar, gritou:_Pai! Vem me ajudar a ver!" Creio que precisamos de alguém ou algo pra nos ajudar a ver, afinal, o mundo é grande mas, beleza mais bela, é aquela que vem devagar, dia a dia. São essas belezas e dessas belezas que vem algum sentido, um sentido não sei do quê(?) Talvez do viver(?) de ser (?) de existir (?) Só sei que ao recostar minha cabeça confortavelmente no travesseiro e ao tirar os cabelos do meu rosto, enxerguei a criatura que naquele momento fez sentido a minha náusea do existir e persistir nessa busca do ser: o meu (...) a minha menina dos olhos...