domingo, 26 de abril de 2009

Ventos do Lobo


Agora que a seda (antes sufocava)
Transformada em trapos (só linhas)
Já não me atrapalha movimentos (livre)
Nem me aperta os sapatos (não há cadarços)
E que grito agudo (bem alto)
Já não encontra eco (por quê há)
Misturado à luz de outros (incandescente)
No universo (o meu)
Agora que o vento (teu sopro)
Me seca as lágrimas (nossas)
Água que é mar no meu corpo (de tentar)
Sobra sal (sobra força)
Bob dylan (toca aí)
Você esta invisível agora, sem segredos(deixa estar)
Saudade é felicidade abafada, futura (deixa vir)
Agora que o vento me seca as lágrimas (nossos sopros)
Deixa estar.Deixa vir
O lobo que há em mim

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Das cores de Frida



Mulher, quando quer
e mesmo quando não,
finge que é.
Mulher da solidão.
Das cores,
Vermelho.
Das dores,
Verde.
Tão bruta.
Tão doce.
Exala tão bem o amor.
Exala melhor ainda o horror.
Frida.
Das cores.
Das dores.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

Voltando

Eu... eu não sei se odeio agora, e se um dia, naquela praia, naquele forte você me ofereceu o ombro...
Não lembro mais de tantas coisas, de nossas coisas, sonhos, poemas, promessas. Não recordo mais do tom de sua voz.
Temo que esteja esquecendo das linhas de tua face, do cheiro, do toque, das mãos.
Ando tão amnésica.
Como é mesmo seu nome? Tentar lembrar me faz esquecer mais...
Sinto me confusa, acho que estou desaparecendo... Eu sou feia?
Não me lembro de você... Tento, tento, tento... Minha cabeça dói.
Quero um drink.
Sinto uma espécie de saudades, mas não sei de quê ou de quem...
Penso que amei alguém, mas acho que não o conheci, ou ... não sei ... tão estranho.
Deve ser muito triste amar alguém que nunca se conheceu...Não estou triste, por isso acho que eu o conheci, só não lembro agora.
Será que bonito?
Droga! Não sei!!!
E se esbarrasse em mim... será que também teria me esquecido ou realmente nunca existi?
E se nesse esbarro, à toa na rua, nossos olhos se reconhecessem...Não sei...
Só sei que, se algum dia eu te encontrar... não vou querer voltar, pois voltaríamos pro mesmo erro e voltariámos a nos esquecer.
Se eu te encontrar, quero começar, como se nunca tivesse amado seu nome.

Pelas Sombras


Com pés descalços, esta noite saí vagando sozinha. As sombras das àrvores me observavam, seus galhos cinzas-esverdiados quase conseguiam me tocar.
A brisa tocava suavemente minha face, esmurecida e taciturna.
Não enxergava masi que dois palmos à minha frente, mas sentia um senso de direção incomum, eu sabia pra onde ir.
Não fazia frio, tão pouco calor, havia estrelas, muito poucas, a lua estava no meio do céu, já estava tarde.
Meu vestido embraquecido pelo tempo, rastejava pelo chão, carregando algumas folhas. Só ouvia se este som: das folhas arrastadas por mim e o estalar dos galhos quebrando ao passar de meus pés, vez por outra, com muita atenção, ouvia o assobio do vento, parecia uma canção de ninar, creio que foi por isso que comecei a ficar sonolenta, comecei a sentir frio e admito que já estava com dores nos pés, por causa das pedras.
Estava caminhando num chão de pedras, entre àrvores que me arrodeavam com seu grandes troncos e raízes retorcidos.
O sono me beijava levemente, tão gentil que fui me entregando. Deitei me numa raíz enrrugada pelo tempo e adormeci, aliás, creio que nesse momento, começava a acordar...

terça-feira, 14 de abril de 2009

03:45 am


Pois bem, acabo de tomar uma xícara fria de café, tão fria, tão sem gosto, aliás, tinha o mesmo gosto do café que tomei à tarde, mediocrimente sozinha.
Fui ao bannheiro. Olhei me no espelho. Angústia. Tristeza. Insônia...
Que porcaria!!! Estou escrevendo!!!
Acho que estou num ponto de mutação. Psicológico. Físico. Espiritual.
Senti hoje uma sensação de que sou capaz de frear uma lágrima mas que realmente gosto de chorar. Sentir aquela dor rasgando o peito de uma extremidade a outra.
Será loucura.
É uma afirmação.
Sempre me considerei uma pessoa solitária e que sempre arruma um jeito de chamr atenção...
É verdade.
Mas quem se importa? Eu já a tempos não me importo!
Olhei para as minhas mãos...
Pensei...
Imaginei...
Qual das duas mãos irá fica por cima, quando meu corpo gélido estiver repousando em uma cama acolchoadamente fúnebre?
Eu prefiro a esquerda.
Gosto mais dela.
Pendurei as fotos que estavam na gaveta. Elas sorriem para mim.
Agora, nem me sinto mais tão só.
O dia já clareia e ainda estou com o gosto amargo do café.
Preciso dormir.
Acordar cedo.
Afinal, ainda vivo. Vivo mas não existo.
Por favor!!! Alguém pode me dar um pouco de atenção?!?!
Ao menos fingir que se importa?!?!

Vou dormir...