sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Um tormento. Um verme alojado no meu coração me corrói, inquieta, me transtorna.
É uma vontade de gritar, explodir, rasgar, rasgar. E hoje, tive sonhos tranquilos. Talvez um equilíbrio para esses dias de longos pensares. Pensar. Começar a pensar é começar a ser atormentado.
Peço um café, acendo meu cigarro e numa sequencia de gestos mecânicos por um momento, esqueço: um gole de café, xícara na mesa, tilintar da louça no mármore, o acerto da alça da xícara para o próximo gole, o cigarro, o suspiro, a boca, a fumaça, o vento, o açúcar na mesa,o olhar para o nada, pessoas conversando sobre nada, a xícara, o tilintar, o acerto, o cigarro, o suspiro, aboca, a fumaça, o vento,o olhar, pessoas e o nada.
Olho para um homem que está sentado em uma mesa à minha frente, sozinho, lendo um livro. Imaginei o conteúdo do livro, o que me tomou alguns minutos, será filosofia, história, anatomia? Ou está só fingindo que lê e assim como eu está divagando nos próprios pensamentos, abstraído do barulho das pessoas, gralhas falantes e sorrindo. Não dá pra entender nada, só barulho. Pedi outro café, decidi não acender outro cigarro e voltei a pensar, a pesar. Transtorno, tormenta, inquietude: um verme se alojou no meu coração.
A luz  me cega.
Não queria escrever, queria gritar.
A LUZ ME CEGA!

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