Assistindo um espetáculo cujo o tema eram as poesias de Florbela Espanca, diga se de passagem com uma cenografia jamais vista, como diria um experte em montagens com uma carreira de dez anos de estrada e luzes misturando se aos metais que escorriam do teto feito lágrimas, tirando os devaneios que me fizeram desperceber alguns versos, vi que nunca aqui, neste meu consolo escrito quase nunca diário e de inconstante temas, que em nenhuma palavra havia escrito sobre o mar.
Pensei que seria o fato de sempre ter vivido na poeira do asfalto e de quase nunca, porém não pese o nunca com tanta força,já que há tempos e há tempos, sim, molho os pés nessa imensa bolacha de água e sal. E também não por falta de afeto ou momentos de introspectos nessas vezes que lá estive. Ainda não sei por que não havia anotado sobre o mar.
E sentada lá, ouvindo as lamúrias da Flor, sobre o mar de amarguras, ainda não tinha eu, solucionado o mistério das não menções dessa pequena bacia dágua. Isso pois, ainda me incomodava, e os lapsos de memória me retiravam daquela sala, pensando oquê eu escreveria sobre o imenso horizonte azul que faz perder a vista e como as ondas, faz nossos pensamentos irem e virem, irem e virem.E verem. E nossos olhos atentos e ao mesmo tempo perdidos, pequenos. O enquadramento horizontal do olho mal abarca tanta água e tanta profundeza.
Não sei como tinha deixado de vê-lo. Tão azul. Tão volúptuosamente discreto.
Tanta imensidão. Solidão. Escuridão.Como um certo coração.Seja da Flor ou do espinho.
Como o mar.Um mar de amar.Um mar de amar.gu.ra.
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